Este texto também é sobre falta de educação e desinfluência.



Sempre existirá no mundo, dois tipos de pessoas: as que usam seu conhecimento para continuarem humildes e outras que usam o mesmo conhecimento para continuarem arrogantes.

Eu parei de seguir recentemente, uma influencer no dia que a vi sugerir que ia colocar fogo no seu diploma. Eu fiquei sem acreditar e antes de ver a cena eu parei de segui-la. Ela foi um dos primeiros unfollower que dei, aderindo ao movimento BLOCK OUT, movimento anti-influencia, que surgiu nos EUA e ganha força no Brasil, o que caracteriza o movimento é parar de seguir pessoas superficiais, como algumas celebridades, pseudo influencers, vendedores de curso, ou qualquer pessoa que não lhe acrescenta nada. 


Eu nao vi a tal influencer colocando fogo no diploma porque ja tinha parado de segui-la, no entanto ela nao deixou apenas no instagram, ela mandou aqueles e-mails marketing contando o episódio da queima do diploma, com foto inclusa, dela com o diploma sendo queimado e apenas um dos milhares de comentários feitos, para ela, indignados. Eu nao sabia que estava nesta lista de emails marketing dela. O bom foi que ele chegou em um dia que eu tive curiosidade para ler e logo depois fiz o serviço completo de cancelar a inscrição lá também.


O problema dos chamados influencers é a capacidade de sempre usar algum fato para chamar atenção, a favor deles e vender mais. A menina com 1.1M de seguidores, estava lá queimando o diploma segundo ela “não para fazer ninguém queimar o seu”, ou desestimular as pessoas a fazerem uma universidade, mas para estimular seus seguidores a usar aquele conhecimento adquirido na universidade, para usar no digital, para vender mais, escalar e ficar rico. No entanto, o textão não é o que chama atenção. Em um país e mundo, onde as pessoas cada vez lêem menos, onde lêem manchetes, sem ler o conteúdo, o que sempre é “lido” são as imagens, e não as legendas. A mensagem que a tal influencer deixa é visual, ela queimando o diploma. Tudo em torno dos marketeiros influencers gira em torno do mundo digital, de uma bolha cada vez mais fechada, onde tudo é copy, tudo é venda, tudo é conversão, cada história é manchete. Muitos são os influencers de instagram, que constróem um personagem fiel ao mundo digital, como se fosse a religião deles e assim vão trazendo fiéis para seu mundo, assim eles ficam mais poderosos. São perfis de caras, bocas, carrões, viagens ao redor do mundo, corpos sarados e completamente sem vida, sem alma e sem coração. Superficial demais.


Mas, eis que justamente hoje, após fazer mil reflexões e filosofias sobre o ato da influencer, eu abro o instagram e me deparo com um post aconchegante e humilde do americano Spencer, influencer com mais de 1.6M de seguidores, com uma foto sorridente da sua formatura de Mestrado na UChicago homenageando o Brasil, por ter sido a nossa cultura que o influenciou a estudar mais e alcançar este objetivo, ter mais um diploma. Ali ele fala de inspiração, de amor, de orgulho, e isto é o que falta em muitos chamados influencers, conexão com o mundo real, a capacidade de inspirar pessoas profundamente. Enquanto o digital pode fazer uma pessoa perder a conexão com sua história, a qual aquele diploma faz parte, a ponto de queima-lo arrogantemente, o digital também pode trazer a mensagem humilde de uma pessoa que correu atrás deste mesmo papel, por orgulho e amor, a nossa cultura e ao Brasil. Vendo ali a concretização de um sonho. Um diploma tem um significado só nosso. Cada um tem sua história e não dá pra contar nossa história queimando uma parte dela. 


Comece um movimento dentro de você, escolhendo quem lhe inspira, quem faz você se sentir bem melhor mesmo sem lhe ensinar a ganhar dinheiro. Escolha ser desinfluenciado por pessoas que trabalham com educação, mas que lhes falta educação. Eu aprendo com o Spencer várias pequenas coisas interessantes do inglês. As vezes a gente só precisa de alguém que nos acrescente razões para acreditar no que estamos fazendo. Sabe aquele diploma? Ele pode fazer você chegar aonde você quiser. Estou prestes a conseguir o meu terceiro diploma e todos eles, fazem parte da minha história e de onde eu ainda nem cheguei.



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